R$ 3,1 bi em cinco anos: a escalada da despesa na ALEAM sob Cidade

A execução da Assembleia cresceu 68,1% entre 2020 e 2025 e concentrou 76,1% do total de nove exercícios no recorte da presidência. Os números dimensionam a expansão; não explicam, sozinhos, suas causas.

Roberto Maia Cidade Filho foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas em 3 de dezembro de 2020, reeleito em 1º de fevereiro de 2023 e empossado para um terceiro biênio em 3 de fevereiro de 2025. Em abril de 2026, com a renúncia do governador Wilson Lima e de seu vice, assumiu interinamente o Governo do Estado; em 4 de maio, foi eleito governador em eleição indireta por 24 votos dos deputados estaduais.

No recorte da gestão, a Assembleia empenhou R$ 3.114.018.314,30. O montante corresponde a 76,1% de tudo o que a Casa empenhou na série de nove anos examinada. A apuração utilizou 17.089 notas de empenho do AFI/SEFAZ-AM, conferidas exercício a exercício contra o Total Geral oficial, com diferença de R$ 0,00.

A curva da despesa

Entre 2020 e 2025, a despesa anual da Assembleia cresceu 68,1%. Em 2026, o exercício registrava R$ 525.581.320,95 empenhados em sete meses. Como parte desse período é posterior à saída de Cidade da presidência e o exercício ainda estava em curso, qualquer projeção anual é apenas indicativa.

O duodécimo repassado à Casa chegou a 4,80% da receita tributária líquida. O crescimento da execução, isoladamente, não demonstra desperdício, sobrepreço ou irregularidade: avaliar as causas exige decompor contratos, folha, reajustes, expansão de serviços e demais componentes do orçamento.

Onde estão os maiores blocos

IndicadorValor
Empenhado no recorte da gestãoR$ 3.114.018.314,30
Publicidade, promoção e serviços gráficosR$ 347,17 mi
Verba indenizatória a deputadosR$ 103,40 mi
Locomoção terrestre e aéreaR$ 209,88 mi
Compra de imóvel de pessoa físicaR$ 26,00 mi
Despesas de exercícios anteriores em 2024 e 2025R$ 127,47 mi
Anulações de empenho em 2024 e 2025R$ 250,89 mi

O que os números não dizem

A concentração de 76,1% da execução de nove exercícios no recorte da presidência é um dado aritmético, não uma conclusão sobre mérito do gasto. Rubricas agregadas também não permitem, por si, atribuir cada variação a um contrato ou gestor específico. As contas anuais da ALEAM de 2019 e de 2021 a 2024 foram aprovadas pelo TCE-AM; as de 2025 estavam em apreciação no recorte consultado.

Perguntar Não Ofende (E o Cidadão Quer Saber)

À ALEAM:

  • Quais fatores explicam o crescimento de 68,1% da despesa anual entre 2020 e 2025?
  • Quais contratos, reajustes, novas estruturas ou serviços respondem pelos maiores saltos da execução?
  • Como evoluiu a composição do duodécimo e quais atos fundamentaram as mudanças no período?

Ao TCE-AM:

  • Os principais vetores de crescimento da despesa foram objeto de auditoria específica nas contas anuais?

FECHAMENTO

O dado central desta reportagem é mensurável: R$ 3,11 bilhões foram empenhados no recorte da gestão, equivalentes a 76,1% da execução dos nove exercícios examinados. A despesa anual cresceu 68,1% entre 2020 e 2025.

Esses números não autorizam concluir, sem análise individual dos objetos, que o crescimento decorreu de gasto indevido ou antieconômico. Eles justificam decompor a expansão por contratos, rubricas e decisões administrativas.

As contas aprovadas pelo TCE-AM permanecem elemento indispensável à leitura. Aprovação de contas, contudo, não substitui a possibilidade de escrutínio jornalístico de atos e contratos específicos; do mesmo modo, crescimento orçamentário não equivale a irregularidade.

Esta reportagem termina onde terminam os documentos.

Onde há documento, esta reportagem afirma. Onde há apenas sinal, identifica-o como sinal. E onde a prova termina, termina também a conclusão.

Como conferir — fontes primárias

Sistema AFI/SEFAZ-AM, relatórios RELEMPEMI e RELEXEORC3 da UG 001101, exercícios 2018 a 2026; acórdãos do TCE-AM relacionados na apuração; atos da Mesa Diretora e documentos orçamentários citados na matéria-mãe.

REGRA DE OURO

Fato separado de juízo. Sinal não é prova; identificar quem assinou, recebeu ou integra quadro societário não é imputar conduta. Ausência em fonte pública significa documento não localizado na consulta, não inexistência jurídica. Nada nesta reportagem afirma a prática de crime por qualquer pessoa nomeada.

NOTA  ALEAM empenhou R$ 3,11 bi no recorte da gestão; despesa anual cresceu 68,1% entre 2020 e 2025.

RESUMO  Cinco anos concentraram 76,1% da execução de nove exercícios da ALEAM; publicidade e locomoção puxam cifras milionárias.

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