SUS prevê 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas viciadas em apostas

O Sistema Único de Saúde deverá oferecer até 100 mil teleatendimentos por mês para pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso compulsivo de apostas esportivas e jogos on-line.

O atendimento remoto busca ampliar o acesso a orientação, avaliação e acompanhamento, principalmente para moradores de localidades que não possuem serviços especializados em saúde mental.

A iniciativa foi divulgada em meio ao crescimento das apostas digitais e à preocupação com endividamento, conflitos familiares, perda de produtividade e sofrimento psicológico.

O transtorno do jogo pode levar a pessoa a apostar repetidamente, mesmo diante de prejuízos. Em alguns casos, o usuário tenta recuperar o dinheiro perdido realizando novas apostas, o que amplia as dívidas.

O problema pode atingir trabalhadores, jovens e famílias de diferentes faixas de renda. A facilidade de acesso pelo celular e a oferta permanente de partidas e modalidades reduzem as barreiras para apostar.

A publicidade também exerce influência. Promoções, bônus, notificações e participação de influenciadores podem transmitir a ideia de ganho fácil, apesar de as plataformas serem estruturadas para obter lucro com as perdas dos usuários.

O teleatendimento pode ser uma porta de entrada para o SUS. Profissionais poderão avaliar a gravidade do caso, orientar familiares e encaminhar o paciente para unidades presenciais quando necessário.

Casos mais complexos podem exigir acompanhamento em centros de atenção psicossocial, unidades básicas, serviços de assistência social e programas de renegociação financeira.

A oferta remota apresenta vantagens para a Amazônia, onde as distâncias dificultam o acesso a especialistas. Moradores de municípios do interior podem receber uma avaliação inicial sem precisar viajar até a capital.

A tecnologia, porém, não elimina problemas de conectividade. Comunidades sem internet estável ou equipamentos adequados poderão continuar excluídas. Por isso, o serviço precisa funcionar de forma integrada com unidades locais.

Outro desafio é a privacidade. Pessoas que vivem em casas pequenas ou compartilhadas podem não encontrar um ambiente reservado para falar sobre dívidas, conflitos e comportamento compulsivo.

O enfrentamento também exige regulação do mercado. Tratar usuários sem restringir publicidade abusiva, acesso de menores e mecanismos de estímulo ao jogo transfere a responsabilidade exclusivamente para o indivíduo.

Sinais de alerta incluem mentiras sobre valores apostados, empréstimos frequentes, irritação quando não é possível jogar e abandono de atividades pessoais ou profissionais.

Familiares devem evitar assumir repetidamente as dívidas sem exigir tratamento, porque isso pode permitir a continuidade do comportamento. O apoio precisa ser combinado com limites financeiros e acompanhamento profissional.

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