Incêndios em residências crescem 39% no Amazonas em meio ao calor intenso

O número de incêndios em residências registrados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas cresceu 39% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho, foram contabilizadas 234 ocorrências, contra 168 no primeiro semestre de 2025. Em relação a 2024, quando houve 138 registros, a alta chega a 69%.

O Corpo de Bombeiros relaciona o aumento à combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade, maior utilização de aparelhos elétricos e falhas nas instalações domésticas. O consumo de equipamentos como aparelhos de ar-condicionado e ventiladores cresce durante o verão amazônico e pode sobrecarregar redes que não foram dimensionadas adequadamente.

Os registros cresceram ao longo dos primeiros meses do ano. Foram 27 incêndios em janeiro, 34 em fevereiro, 39 em março, 48 em abril, 35 em maio e 51 em junho — maior número mensal do semestre.

No sábado, 8 de agosto, um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado foi apontado como causa de um incêndio no quarto andar do Edifício Botticelli, no Vieiralves, zona Centro-Sul de Manaus. Vinte bombeiros e oito viaturas participaram da ocorrência, e aproximadamente seis mil litros de água foram utilizados. Dez pessoas receberam atendimento por inalação de fumaça e uma moradora precisou ser encaminhada para atendimento médico.

As ocorrências servem de alerta principalmente durante os meses mais quentes. Instalações antigas, fios improvisados, extensões e adaptadores utilizados para conectar vários aparelhos em uma única tomada podem aumentar o risco de curto-circuitos e superaquecimento.

O Corpo de Bombeiros recomenda inspeção periódica das instalações elétricas, especialmente em imóveis mais antigos, e atenção aos aparelhos de maior potência. Ligações clandestinas e adaptações improvisadas devem ser evitadas.

Outro risco está nas queimadas realizadas em quintais e terrenos. Com vegetação seca e baixa umidade, pequenas chamas podem se espalhar rapidamente e atingir residências vizinhas.

A orientação em caso de incêndio é abandonar o local e acionar imediatamente o telefone 193. A tentativa de combater chamas de grandes proporções sem equipamento adequado pode provocar queimaduras ou intoxicação por fumaça.

O crescimento de 39% também coloca pressão sobre o poder público. Além de campanhas educativas, a situação exige fiscalização de edificações, planejamento urbano e capacidade operacional dos bombeiros para atender ocorrências simultâneas durante os períodos de calor extremo.

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