A Agência Nacional de Vigilância Sanitária liberou nesta segunda-feira, 10 de agosto, a entrega de medicamentos por meio de aplicativos e plataformas digitais. A medida permite que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem empresas de comércio eletrônico e logística para levar os produtos aos consumidores.
A decisão está relacionada à legislação aprovada em março de 2026, que passou a permitir a utilização desses canais para a logística de medicamentos. A Anvisa revogou restrições anteriores que atingiam plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino e Americanas; restrição semelhante relacionada à Shopee havia sido revogada na semana passada.
A mudança, porém, não significa liberação irrestrita para a venda de medicamentos por qualquer estabelecimento. A Anvisa ressalta que as plataformas e farmácias deverão cumprir as normas sanitárias aplicáveis e que a revogação das proibições não equivale a uma autorização automática de comercialização de todos os produtos farmacêuticos.
Parte das regras operacionais ainda deverá ser regulamentada pela própria agência. Isso é especialmente importante para medicamentos sujeitos a prescrição, produtos que exigem controle de temperatura e substâncias submetidas a regras específicas de retenção de receita.
A entrega por aplicativos pode ampliar a concorrência e tornar a compra mais acessível para idosos, pessoas com mobilidade reduzida e moradores distantes de farmácias. Também representa mudança importante para o comércio farmacêutico, cada vez mais integrado às plataformas digitais.
O crescimento do serviço exige, entretanto, atenção à procedência. O consumidor deve verificar se o medicamento é vendido por farmácia regular e se a embalagem apresenta registro, validade e condições adequadas de conservação.
No Amazonas, a medida pode gerar impactos distintos. Em Manaus, plataformas de entrega já possuem presença significativa e poderão ampliar a oferta. No interior, onde a logística é mais limitada, a regulamentação precisará considerar longos períodos de transporte e condições climáticas adversas.
Outro ponto sensível é a responsabilidade em caso de erro. Farmácia, plataforma e operador logístico precisam manter sistemas capazes de identificar quem separou, transportou e entregou o medicamento.
A expansão do comércio digital pode facilitar o acesso, mas a vigilância sanitária continuará sendo indispensável para impedir falsificações, venda irregular e transporte inadequado.
