Primeiro leilão de baterias do Brasil recebe mais de 6 mil projetos

O primeiro processo brasileiro voltado à contratação de sistemas de armazenamento de energia em baterias recebeu 6.091 projetos cadastrados, informou nesta segunda-feira, 3 de agosto, a Empresa de Pesquisa Energética, a EPE.

Juntos, os empreendimentos somam 296.807 megawatts de potência. O volume representa um recorde de participação em certames do setor elétrico, embora o cadastramento não signifique que todos os projetos serão habilitados ou construídos.

As propostas passarão por análise técnica antes dos leilões previstos para dezembro. A EPE deverá avaliar documentação, localização, conexão ao sistema elétrico, viabilidade dos equipamentos e demais requisitos definidos pelo governo.

As baterias permitem armazenar eletricidade em momentos de maior oferta e devolvê-la ao sistema quando o consumo aumenta ou a produção diminui. A tecnologia é considerada estratégica para ampliar a segurança de redes com participação crescente de fontes renováveis.

A geração solar varia ao longo do dia e cai à noite. A produção eólica também depende das condições dos ventos. Com armazenamento, parte do excedente produzido em horários favoráveis pode ser utilizada posteriormente, reduzindo oscilações e a necessidade de acionar usinas mais caras.

O interesse de mais de 6 mil projetos mostra que empresas identificaram uma oportunidade relevante no mercado brasileiro. O número, entretanto, deve ser analisado com cautela. Projetos cadastrados podem disputar os mesmos pontos de conexão e parte deles poderá ser eliminada durante a habilitação.

Outro desafio é o custo. Sistemas de grande porte exigem investimentos elevados, importação ou fabricação de componentes, áreas adequadas e integração com linhas de transmissão e subestações.

O Brasil também precisará desenvolver regras para segurança, descarte e reciclagem. As baterias têm vida útil limitada e contêm materiais que exigem tratamento adequado ao final do uso. Sem planejamento, o avanço da tecnologia pode criar novos passivos ambientais.

Há ainda uma dimensão industrial. A contratação em larga escala pode estimular fábricas, centros de manutenção, pesquisa e formação de profissionais especializados. Para isso, políticas públicas precisarão evitar que o país se limite à importação de equipamentos prontos.

Na Amazônia, sistemas de armazenamento podem ajudar localidades isoladas que utilizam geradores a diesel. A combinação de painéis solares e baterias pode reduzir consumo de combustível e emissões, embora os custos de instalação e manutenção sejam maiores em áreas remotas.

Os leilões deverão definir quantidade efetivamente contratada, prazo de operação e remuneração dos projetos. A procura recorde é um sinal de interesse do mercado, mas os efeitos sobre tarifas e segurança energética dependerão das regras finais e dos empreendimentos habilitados.

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