Manaus recebe nesta quarta e quinta-feira, 5 e 6 de agosto, a terceira edição do Amazon On, evento dedicado a discussões sobre tecnologia, telecomunicações, transição energética, inovação e desenvolvimento sustentável na Amazônia.
A programação é realizada no Centro de Convenções Vasco Vasques e reúne especialistas, empresas, pesquisadores e representantes de instituições públicas e privadas. O encontro foi estruturado em oito painéis temáticos voltados à análise dos principais obstáculos ao desenvolvimento tecnológico da região.
Entre os temas previstos estão expansão da conectividade, acesso à internet em áreas remotas, modernização do setor energético, bioeconomia, infraestrutura digital e uso de novas tecnologias para monitoramento ambiental.
A realização do evento em Manaus coloca a capital amazonense no centro de uma discussão que afeta diretamente a vida de comunidades urbanas e do interior. Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, áreas rurais, indígenas e ribeirinhas ainda enfrentam limitações de conexão e energia.
A ausência de internet estável dificulta o acesso à educação a distância, telemedicina, serviços bancários, emissão de documentos, comercialização de produtos e comunicação em situações de emergência. O problema também reduz a capacidade de órgãos públicos monitorarem serviços e atenderem populações isoladas.
No setor energético, a Amazônia reúne contradições. A região possui grande potencial de geração renovável, mas centenas de localidades isoladas ainda dependem de usinas movidas a diesel, combustível caro, poluente e sujeito a dificuldades de transporte.
Sistemas solares combinados com baterias são apontados como uma das alternativas, mas a adoção em escala exige financiamento, assistência técnica e manutenção permanente. Instalar equipamentos sem garantir peças e profissionais treinados pode transformar projetos inovadores em estruturas abandonadas.
A bioeconomia também ocupa espaço central no debate. O conceito envolve a geração de renda a partir da biodiversidade, do conhecimento científico e dos saberes tradicionais, com manutenção da floresta em pé.
Para que esse modelo avance, produtores e comunidades precisam participar da distribuição dos benefícios. A simples exploração comercial de produtos amazônicos não garante sustentabilidade quando a renda permanece concentrada fora da região.
Manaus possui universidades, institutos de pesquisa, empresas de tecnologia e o Polo Industrial, mas ainda enfrenta dificuldade para transformar pesquisa em produtos e negócios locais. A aproximação entre academia, setor privado e comunidades pode ajudar a reduzir essa distância.
O desafio do Amazon On será fazer com que os debates ultrapassem o ambiente do evento. Projetos de conectividade e bioeconomia precisam apresentar metas, recursos, prazos e mecanismos de avaliação, evitando que a inovação seja tratada apenas como discurso institucional.
