A apuração anterior desta série tratava os repasses de 2026 à Fundação Muraki como uma escalada recente. A base ampliada corrige essa leitura: o patamar já era elevado desde 2022. Os valores por exercício são R$ 3,95 milhões (2021), R$ 13,67 milhões (2022), R$ 13,89 milhões (2023), R$ 15,02 milhões (2024), R$ 17,96 milhões (2025) e R$ 16,99 milhões em 2026, ainda parcial.
Reportagem baseada na base de dados ampliada da execução orçamentária da FUnATI/UNATI (947 notas de empenho, UG 21302, exercícios 2020-2026, reconciliada). Esta é uma reapuração sobre base de dados quase três vezes maior que a publicada em 10/08/2026; os dados apontam padrões que pedem verificação e contraditório dos responsáveis, não constituem, por si sós, prova de irregularidade.
A série anual empenhada à Fundação de Apoio Institucional Muraki, reconciliada célula a célula nesta apuração, é: R$ 3.953.221,18 em 2021; R$ 13.667.739,97 em 2022; R$ 13.886.430,00 em 2023; R$ 15.020.000,00 em 2024; R$ 17.960.000,00 em 2025; e R$ 16.991.000,00 em 2026, ainda parcial. O valor de 2024, sozinho, era 14 vezes maior do que a base de dados incompleta usada na apuração anterior desta série havia registrado. O padrão de concentração já era elevado e sustentado desde 2022 — 2026 não é uma anomalia isolada, é a continuidade de um patamar que a base antiga simplesmente não capturava.
A urgência do fechamento de exercício
Dentro desse quadro, um número pede acompanhamento até o fim do ano: R$ 6.858.814,19 seguem apenas liquidados, sem pagamento confirmado, no subconjunto de dado real disponível para esse cruzamento — dos quais R$ 5.741.000,00 (83,7%) concentrados em três empenhos da própria Muraki no exercício de 2026 (R$ 5.391.000,00; R$ 200.000,00; e R$ 150.000,00). Trata-se do maior bloco de liquidação sem pagamento confirmado identificado nesta apuração, a acompanhar até 31 de dezembro de 2026 à luz do art. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que trata da inscrição de restos a pagar no encerramento do exercício.
O que diz a regra
A persistência plurianual altera a pergunta de controle: em vez de explicar apenas um pico, é necessário compreender os fundamentos, metas e resultados da relação ao longo dos exercícios. O art. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal disciplina obrigações assumidas nos últimos dois quadrimestres do mandato, mas sua eventual incidência depende da situação concreta de caixa e da natureza de cada obrigação.
Como apuramos
A série anual foi reconstruída a partir da base ampliada de 947 empenhos (ante 417 na apuração anterior), agrupando por fornecedor e exercício as unidades de análise da Fundação Muraki na planilha RESUMO_PROCESSOS_E_IRREGULARIDADES_2019-2026.xlsx, e comparada diretamente com os valores publicados na edição anterior desta série (preservada, para referência histórica, em pasta própria).
Fontes
Dados primários: Base_Consolidada- UNATI Universidade Aberta da Terceira Idade.xlsx. Análise: DOSSIE_TECNICO_UNATI.docx (Achado 5, Capítulo 4.1); RELATORIO_VERIFICACAO_PROCESSUAL_E_IRREGULARIDADES_2019-2026.docx (Achados A5 e A11).
Perguntar Não Ofende (E o Cidadão Quer Saber)
- À FUnATI: por que os repasses à Fundação Muraki permaneceram acima de R$ 13 milhões por exercício desde 2022?
- Quais metas, entregas e resultados justificam a manutenção desse patamar por cinco exercícios consecutivos?
- Os R$ 5,741 milhões liquidados em 2026 já foram pagos? Em caso negativo, qual a situação atual de cada empenho?
- Existe previsão de inscrição desses valores em restos a pagar e qual disponibilidade de caixa lhes dá suporte?
- À Fundação Muraki: quais serviços e programas correspondem aos três empenhos que concentram a maior parcela do saldo de 2026?
FECHAMENTO
A base ampliada corrige um ponto central da apuração anterior: 2026 não inaugura a concentração de recursos na Fundação Muraki. Desde 2022, os empenhos anuais destinados à entidade permanecem acima de R$ 13 milhões, alcançando R$ 17,96 milhões em 2025 e R$ 16,99 milhões no recorte parcial de 2026.
A continuidade desse patamar é um fato orçamentário; não demonstra, isoladamente, irregularidade, dependência indevida ou inadequação da parceria. Para avaliar essas hipóteses seriam necessários os instrumentos de cada exercício, metas, justificativas, resultados, prestações de contas e eventuais procedimentos comparativos.
No subconjunto em que o campo de pagamento possui cobertura real, R$ 6.858.814,19 aparecem liquidados sem pagamento confirmado, dos quais R$ 5.741.000,00 vinculados a três empenhos da Muraki em 2026. Liquidação sem pagamento confirmado não equivale a inadimplência definitiva e deve ser acompanhada até o encerramento do exercício.
Esta reportagem termina onde terminam os documentos. Eles mostram um padrão plurianual de concentração e um saldo relevante ainda sem pagamento confirmado na fonte disponível; não permitem antecipar o desfecho contábil do exercício ou atribuir causa ilícita ao padrão.
Onde há documento, esta reportagem afirma. Onde há apenas sinal, identifica-o como sinal. E onde a prova termina, termina também a conclusão.
REGRAS DE OURO
Fato separado de juízo. Ausência em base pública é descrita como ausência na fonte examinada, não como inexistência do ato. Empenho, liquidação e pagamento são fases distintas. Concentração de fornecedor, coincidência de numeração, lacuna de campo ou diferença entre bases não são convertidas, isoladamente, em imputação de ilícito. Quando a documentação não fecha a prova, a reportagem registra a pergunta e preserva a presunção de regularidade até que os processos permitam conclusão diversa.
| NOTA | Desde 2022, a UNATI empenha mais de R$ 13 milhões por ano à Fundação Muraki. |
| RESUMO | Série ampliada mostra concentração elevada e contínua na Muraki desde 2022, não um pico isolado em 2026. |
